Ir para o conteúdo

Intensidade

Volume não é estímulo

4 min de leitura 22 leituras
Weydson Jordão de Barros
CREF 018278-G/PE

Mais séries e mais dias não significam mais resultado. O que muda é quanto de cada série realmente conta.

A pessoa que mais me procura não é a que treina pouco. É a que treina muito. Cinco, seis dias por semana, séries contadas, planilha em dia — e o físico parado há um ano. Quando ela me mostra o treino, quase sempre encontro a mesma coisa: muito volume e nenhuma medida de intensidade.

Volume é fácil de contar. Séries vezes repetições vezes dias. Intensidade não aparece na planilha a menos que alguém decida registrá-la. E como o que não se mede não se ajusta, o volume vai subindo para compensar uma intensidade que ninguém sabe qual é.

O que faz uma série contar

Para hipertrofia, o que produz adaptação é a série chegar perto o suficiente da falha — não a falha em si, mas a proximidade dela. As últimas repetições de uma série, aquelas em que a velocidade cai sozinha e o esforço fica evidente, são as que mais recrutam. Uma série que para muito antes disso é, na prática, aquecimento.

Isso não é opinião minha; é o que a literatura de treinamento de força repete há anos e o que eu vejo nos registros das minhas alunas. Duas pessoas fazendo "3 × 12" podem estar fazendo treinos completamente diferentes, dependendo de onde a série termina.

Na prática

Se você consegue conversar durante a última repetição, a série não contou. Se você consegue fazer a mesma série de novo, sem descanso, com a mesma carga, ela também não contou.

Dez séries que não somam três

Aqui está a armadilha. Quando a intensidade é baixa, a solução intuitiva é fazer mais séries. Mas dez séries parando com seis repetições sobrando não equivalem a três séries feitas até RIR 1 ou 2. Não é uma questão de somar: o estímulo não se acumula desse jeito. O que se acumula é o desgaste — articular, de tempo, de disposição para voltar na semana seguinte.

Por isso, quando alguém chega com seis treinos por semana e resultado parado, a primeira coisa que eu faço raramente é acrescentar. Costuma ser tirar. Menos séries, cada uma medida e levada onde precisa chegar. Em muitos casos o volume semanal cai e a carga volta a subir em poucas semanas — não porque treinar menos é mágico, mas porque cada série passou a fazer o que uma série deve fazer.

O custo invisível do volume

Volume alto tem um custo que não aparece na planilha: recuperação. Se você treina seis dias e chega ao treino de peito ainda cansada do treino de costas, a intensidade real da sessão cai, mesmo que a planilha esteja igual. O volume passa a comer a intensidade — e você se sente treinando muito exatamente porque está treinando muito, sem que isso se converta em resultado.

Há também o custo de tempo e de adesão. Um plano de quatro dias que você cumpre por seis meses vale mais que um de seis dias que você abandona na terceira semana. Consistência é o que multiplica o resto.

Como ajustar sem adivinhar

  1. Anote o RIR da última série de cada exercício por duas semanas, sem mudar nada. É o diagnóstico.
  2. Se a maioria estiver acima de RIR 3, o problema é intensidade, não volume. Suba a carga ou as repetições até chegar em RIR 1–2 nos exercícios principais, mantendo a execução.
  3. Só depois decida sobre o volume. Se com a intensidade certa você não recupera entre as sessões, corte séries. Se recupera bem e a carga parou, aí sim acrescente — uma série de cada vez.

O objetivo não é treinar menos nem treinar mais. É fazer com que cada série que você faz esteja pedindo adaptação ao corpo. Quando isso acontece, o volume necessário costuma ser bem menor do que a maioria das pessoas está fazendo.

Compartilhar

Olá, deixe seu comentário para Volume não é estímulo

Cancelar Enviando comentário

Neste texto

  1. O que faz uma série contar
  2. Dez séries que não somam três
  3. O custo invisível do volume
  4. Como ajustar sem adivinhar

Weydson Barros

Treinador, bacharel em Educação Física pela UNIBRA. Trabalho com musculação e hipertrofia, principalmente com mulheres que já treinam e querem voltar a evoluir.

Sobre o meu trabalho