Ir para o conteúdo

Progressão

Quanto tempo você deve repetir o mesmo treino

4 min de leitura 43 leituras
Weydson Jordão de Barros
CREF 018278-G/PE

Trocar a planilha todo mês apaga a comparação entre semanas. Como reconhecer a hora certa de mudar.

"Meu treino está velho, preciso trocar." Ouço isso quase toda semana, e a pergunta que devolvo é sempre a mesma: velho em relação a quê? Se a carga ainda está subindo com a execução mantida, o treino não está velho — está funcionando. Trocar nesse momento é jogar fora o dado que você levou semanas para construir.

Repetir é o que permite comparar

Progressão é uma comparação: o que você fez hoje contra o que fez na semana passada, no mesmo exercício, na mesma faixa de repetições. Sem repetição não existe essa comparação. Se o exercício muda a cada mês — ou pior, a cada sessão, como nos treinos "surpresa" — você nunca sabe se a carga subiu porque o corpo adaptou ou porque o exercício novo era mais fácil.

Repetir o treino também tem um efeito prático que a novidade não tem: você aprende o movimento. Nas primeiras semanas de um exercício, boa parte do ganho de carga é coordenação, não músculo. Só depois disso a progressão passa a dizer alguma coisa sobre hipertrofia.

O ciclo: seis semanas, por um motivo

No meu acompanhamento, um treino vive em ciclos de seis semanas. Não é um número sagrado; é o tempo em que, na maioria das alunas, dá para ver a curva inteira: as duas primeiras semanas de ajuste técnico, três de progressão clara e uma última em que a carga costuma estacionar. Essa última semana é a que me diz o que fazer no ciclo seguinte.

Dentro do ciclo, o que muda é a carga e a repetição. O exercício, a ordem e a faixa de repetições ficam. É essa estabilidade que transforma a planilha em registro.

Na prática

Se você não consegue dizer qual carga usou no seu exercício principal há duas semanas, o problema não é o treino estar velho. É ele não estar sendo registrado.

Os sinais de que é hora de mudar

  • Carga parada por duas ou três semanas, com execução limpa e RIR baixo. Não é falta de esforço: o estímulo saturou.
  • Execução piorando para sustentar a carga — o sinal de que a progressão virou compensação, e aí a mudança pode ser voltar a carga, não trocar o exercício.
  • Dor articular recorrente em um padrão de movimento específico. Aqui a troca é de variação, para tirar o estresse de onde não deveria estar.
  • Fim do ciclo, mesmo com progressão, quando a leitura dos registros indica que outra faixa de repetições ou outra variação vai produzir mais no próximo bloco.

Repare que "tédio" não está na lista. Tédio é real e importa para a adesão, mas ele se resolve com pequenas variações — um exercício acessório, a ordem — e não com a troca do treino inteiro.

O que muda quando muda

Quando o ciclo fecha, não troco tudo. Troco o que o registro pediu. Se o agachamento progrediu bem, ele fica e ganha uma faixa de repetições diferente. Se a remada estacionou cedo, ela pode virar outra variação. Se um acessório não mostrou nada em seis semanas, sai. É uma revisão, não um recomeço — e é por isso que o ciclo seguinte começa de onde o anterior parou, em vez de começar do zero.

Um treino que muda sem motivo não é variado. É aleatório. E aleatoriedade é a única coisa que garante que você não saiba por que evoluiu — ou por que parou.

Compartilhar

Olá, deixe seu comentário para Quanto tempo você deve repetir o mesmo treino

Cancelar Enviando comentário

Neste texto

  1. Repetir é o que permite comparar
  2. O ciclo: seis semanas, por um motivo
  3. Os sinais de que é hora de mudar
  4. O que muda quando muda

Weydson Barros

Treinador, bacharel em Educação Física pela UNIBRA. Trabalho com musculação e hipertrofia, principalmente com mulheres que já treinam e querem voltar a evoluir.

Sobre o meu trabalho