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Diagnóstico

Por que planilha pronta funciona por seis semanas e para

3 min de leitura 34 leituras
Weydson Jordão de Barros
CREF 018278-G/PE

Todo protocolo genérico entrega alguma coisa no começo. O problema é o que ele não tem como fazer depois.

Não vou dizer que planilha pronta não funciona. Funciona — por um tempo. Quase toda pessoa que baixa um treino da internet ou compra um protocolo em PDF sente diferença nas primeiras semanas. O que quero explicar é por que essa diferença para, e por que a resposta para isso não é outra planilha.

Por que funciona no começo

Dois motivos. O primeiro é novidade: qualquer estímulo diferente do que você fazia produz adaptação, porque o corpo ainda não está acostumado a ele. O segundo é estrutura: uma planilha, mesmo genérica, dá ordem, faixa de repetições e uma sequência — e muita gente treinava sem nenhuma das três.

Então as primeiras quatro a seis semanas costumam ser boas. A carga sobe, o corpo responde, a sensação é de ter encontrado "o treino certo".

Por que para

Porque a planilha não lê você. Ela não sabe que a sua remada estacionou na terceira semana, que o seu agachamento está compensando, que você dormiu quatro horas na terça. Ela não sabe qual foi o seu RIR em nenhuma série. Ela foi escrita antes de você existir para quem a escreveu — e continua igual enquanto o seu corpo muda.

Quando a novidade acaba, o que sobra é uma sequência fixa de exercícios sem nenhuma regra de progressão que responda ao seu registro. A carga para, a pessoa conclui que "o treino ficou velho" e baixa outra planilha. O ciclo recomeça — e a comparação entre semanas, que era a única coisa capaz de mostrar o que estava acontecendo, recomeça do zero junto.

Na prática

Se você já trocou de planilha três vezes no último ano e o físico está no mesmo lugar, o problema não está nas planilhas. Está no que nenhuma delas tinha como fazer: decidir, a partir dos seus números, o que muda na sua próxima semana.

O que uma planilha não tem como fazer

  • Ajustar a carga à sua semana — subir onde sobrou repetição, segurar onde faltou, voltar onde a técnica cedeu.
  • Corrigir execução. Um PDF não assiste ao seu vídeo.
  • Distinguir estagnação de fadiga. Carga parada por saturação do estímulo e carga parada por sono ruim pedem respostas opostas.
  • Escolher exercícios para o seu corpo — histórico de lesão, mobilidade, o que a sua academia tem de fato.
  • Decidir quando o ciclo fecha e o que muda no seguinte, com base no que o anterior mostrou.

Quando a planilha pronta serve

Serve para quem está começando e precisa de estrutura antes de precisar de critério. Serve como ponte por algumas semanas entre um acompanhamento e outro. Serve para quem, honestamente, não quer investir em acompanhamento agora e prefere algum plano a nenhum. Não há problema em nenhum desses casos — desde que a expectativa seja compatível com o que a ferramenta faz.

A alternativa não é treinar mais

Quando a planilha para, o impulso é acrescentar: mais um dia, mais séries, outro protocolo mais agressivo. Quase sempre é o caminho errado. O que faltou não foi estímulo, foi leitura — alguém, ou um sistema, olhando os seus registros e decidindo com critério o que muda.

É isso que um acompanhamento faz e que nenhum protocolo genérico tem como fazer: tratar o seu treino como um processo que responde a você, semana a semana, e não como um documento que você segue até ele parar de funcionar.

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Neste texto

  1. Por que funciona no começo
  2. Por que para
  3. O que uma planilha não tem como fazer
  4. Quando a planilha pronta serve
  5. A alternativa não é treinar mais

Weydson Barros

Treinador, bacharel em Educação Física pela UNIBRA. Trabalho com musculação e hipertrofia, principalmente com mulheres que já treinam e querem voltar a evoluir.

Sobre o meu trabalho