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Progressão

O que registrar no treino, e o que ignorar

3 min de leitura 22 leituras
Weydson Jordão de Barros
CREF 018278-G/PE

Anotar tudo é tão inútil quanto não anotar nada. Os quatro campos que decidem a semana seguinte.

Tem gente que anota tudo — tempo de treino, calorias do relógio, humor, peso na balança, minutos de esteira — e não consegue responder qual carga usou no agachamento na semana passada. Registro que não decide nada é diário, não é registro. O que vale é o que muda a decisão da próxima semana.

Os quatro campos que decidem a semana seguinte

  1. Exercício e variação. "Remada" não basta: remada curvada com barra e remada unilateral com halter são registros diferentes. Se a variação muda, a comparação recomeça.
  2. Carga. O número real, incluindo a barra quando for barra. Meio quilo importa em halteres pequenos.
  3. Repetições da última série. É a série que mostra onde você chegou. As primeiras costumam ser iguais; a última é a que conta a história.
  4. RIR da última série. Quantas repetições sobraram. Sem isso, o número de repetições não diz se a série foi fácil ou se foi o limite.

Quatro campos por exercício principal. Leva menos de um minuto por sessão, e é o suficiente para eu — ou você — decidir a carga da semana seguinte sem chute.

O que pode ficar de fora

  • Tempo total de treino. Diz quanto você ficou na academia, não quanto treinou.
  • Calorias do relógio. Estimativa imprecisa que não muda nenhuma decisão de carga.
  • "Sensação" sem número. "Treino bom", "dia ruim". Se quiser guardar, guarde separado — não no lugar do RIR.
  • Volume total semanal em toneladas. Bonito de ver, mas mistura exercícios diferentes num número só e esconde exatamente o que interessa: onde a carga parou.
  • Exercícios acessórios de isolamento. Podem ser registrados, mas a decisão do ciclo sai dos exercícios principais. Não gaste sua disciplina de registro onde ela rende menos.
Na prática

Quando alguém me diz que "não tem paciência para anotar", peço só isto: carga e repetições da última série dos três exercícios principais do dia. Três linhas. Em duas semanas a pessoa já quer anotar o RIR sozinha, porque percebe que é ali que a resposta mora.

Como ler o registro

O registro serve para responder uma pergunta por exercício: o que muda na próxima semana? Se a última série foi 60 kg × 8 com RIR 3 e a faixa alvo é 8 a 10 repetições, a carga pode subir. Se foi 60 × 8 com RIR 1, mantém e tenta 9. Se foi 60 × 6 com RIR 0 e a execução saiu feia, a carga volta um degrau e a técnica entra na conversa.

Três semanas de registro e um padrão aparece. Carga subindo com RIR estável é progressão. Carga igual com RIR caindo é fadiga acumulada ou alguma coisa fora do treino. Carga subindo com RIR caindo e execução piorando é compensação disfarçada de progresso — e é o que o registro existe para pegar antes que vire lesão.

Papel, planilha ou aplicativo: tanto faz

A ferramenta importa menos que a constância. Um caderno na mochila funciona. A planilha no celular funciona. O aplicativo funciona — desde que você consiga, em dez segundos, ver o que fez no mesmo exercício na semana anterior. Se a ferramenta esconde isso atrás de gráficos e medalhas, ela está atrapalhando.

No meu acompanhamento, o registro é compartilhado: você anota, eu leio, e a decisão da semana seguinte sai daquilo, não de estimativa. É a parte menos glamourosa do processo e a que mais explica resultado.

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Neste texto

  1. Os quatro campos que decidem a semana seguinte
  2. O que pode ficar de fora
  3. Como ler o registro
  4. Papel, planilha ou aplicativo: tanto faz

Weydson Barros

Treinador, bacharel em Educação Física pela UNIBRA. Trabalho com musculação e hipertrofia, principalmente com mulheres que já treinam e querem voltar a evoluir.

Sobre o meu trabalho