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Técnica

Quando a carga sobe e o músculo não acompanha

3 min de leitura 31 leituras
Weydson Jordão de Barros
CREF 018278-G/PE

O peso extra sendo absorvido pela compensação. Como perceber isso antes de virar lesão.

A planilha mais bonita que eu já recebi tinha o agachamento subindo cinco quilos por semana durante dois meses. O vídeo da última semana mostrava um bom terço da amplitude original, o tronco caindo para a frente e os joelhos entrando. A carga tinha subido. O agachamento, não.

O que é compensação

Compensar é o corpo resolver a tarefa — levantar o peso — pelo caminho mais fácil disponível, mesmo que esse caminho não passe pelo músculo que o exercício deveria trabalhar. Encurtar a amplitude, jogar o tronco, empurrar com o lado dominante, usar impulso. Nada disso é erro moral; é o que qualquer sistema faz quando a exigência supera a capacidade atual.

O problema é que a compensação melhora o número na planilha e piora tudo o que o número deveria representar. Você carrega mais, estimula menos e concentra estresse em articulações e tecidos que não estavam preparados para receber aquela carga.

Como perceber antes de virar lesão

  • A amplitude encurta. O agachamento que chegava embaixo passa a parar na metade. A remada que encostava no tronco para a dez centímetros dele.
  • O tronco entra. Curvatura lombar aparecendo no levantamento terra, inclinação exagerada no supino, balanço no desenvolvimento.
  • A fase de descida desaparece. O peso cai em vez de ser controlado, e a repetição vira quicar.
  • Um lado trabalha mais. Nos exercícios unilaterais, um lado faz duas repetições a mais ou com outra velocidade.
  • Dor que muda de lugar. A sensação sai do músculo alvo e vai para uma articulação: ombro no supino, joelho no agachamento, lombar em quase tudo.
Na prática

Compare a primeira repetição da série com a última. Se elas parecem exercícios diferentes, a carga está acima do que a técnica sustenta — e as últimas repetições não estão contando como você imagina.

Por que o vídeo, e como gravar

Ninguém percebe a própria compensação enquanto ela acontece. O corpo está ocupado. É por isso que o vídeo deixou de ser opcional no meu acompanhamento: ele mostra o que a sensação esconde.

Gravar bem é simples. Um ângulo fixo por exercício — lateral para agachamento e terra, levemente diagonal para supino e remada —, o celular apoiado na mesma altura sempre, a série mais pesada do dia. Não precisa gravar todas as séries nem todos os treinos; precisa gravar sempre do mesmo jeito, para dar para comparar o vídeo desta semana com o de quatro semanas atrás.

O que fazer quando aparece

A regra é uma só: a carga só sobe depois que o movimento está sob controle. Quando a compensação aparece, a carga volta para o último ponto em que a execução era limpa — costuma ser um ou dois degraus abaixo —, a amplitude volta a ser completa e a progressão recomeça de lá, com o vídeo acompanhando.

Isso parece um passo atrás, e no papel é. Na prática, é a primeira vez em semanas que o músculo certo volta a receber o estímulo. A carga que você vai alcançar de novo em um mês, agora com a execução preservada, vale muito mais do que a carga que estava no papel.

Número que sobe com execução que cai não é progresso. É dívida — e ela costuma ser cobrada pela articulação.

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Neste texto

  1. O que é compensação
  2. Como perceber antes de virar lesão
  3. Por que o vídeo, e como gravar
  4. O que fazer quando aparece

Weydson Barros

Treinador, bacharel em Educação Física pela UNIBRA. Trabalho com musculação e hipertrofia, principalmente com mulheres que já treinam e querem voltar a evoluir.

Sobre o meu trabalho